março 04, 2013

Aquele dia em que nos damos conta, que estamos ficando velhos.


A destreza com eletrônicos é uma marca de quem nasceu nos anos 80. Vimos a internet nascer, os computadores diminuírem, os celulares aparecerem (e diminuírem). Na era do @, já estávamos completamente aclimados com a tecnologia. Do ICQ, ao Messenger ao chat do Facebook.

O mesmo com aparelhos eletrônicos surge o DVD, Blueray, a televisão com USB e HDMI. Do Tijorola, ao iPhone, passando pelo Motorola V3, Samsung Slin e tantos outros. A evolução tecnológica acontece sob nossos olhares curiosos. Cada vez que vem ao mercado uma nova versão, bastava colocarmos a mão nele e sabíamos operá-los como se tivéssemos nascido com o manual de instruções armazenado no cérebro.

Lembro de receber ligações de mamãe, perguntando como mudar a entrada da televisão e ligar o DVD. Passo a passo, guiava-a pelas instruções que já sabia de cor. O mesmo acontecia com programas de computador. “Como faço para animar apresentação no power point?”. Me pegava pensando, como é que pode ela não ter decorado isso ainda? Como sempre está perdida? É tão fácil, praticamente autoexplicativo.

Pois bem. Eis que, 31 anos depois, estou sentada na sala assistindo à TV em companhia de uma amiga nos seus 20 anos. A televisão começou a fazer algo fora de sua rotina, passei a mão no controle e numa tentativa frustrada, vi minha amiga resolver o problema com dois cliques apenas. Ainda fui agraciada com aquele sorriso irônico, que me dizia que ela estava pensando o mesmo que tantas vezes pensei “como pode ela não saber resolver isto?”.

Pronto, foi exatamente no dia 16/02/13, que vi que não estou mais no grupo dos descolados. Agora entendo que, quando nos damos conta, as coisas simplesmente não fazem mais o sentido que faziam antes e não são assim, tão fáceis. A intimidade que tínhamos com os aparelhos não mais nos pertence.

Admito que não gosto muito dessa situação, o que acontecerá agora? Daqui a pouco, vou precisar de ajuda para acertar o relógio do micro-ondas. Af.

janeiro 04, 2013

Vento forte, maré mansa


Em dezembro de 2012, fui convidada para ser madrinha de um casal incrível. Uma amiga de longa data, a quem amo como irmã e seu amado.

Ser madrinha realmente é uma alegria incomparável. Compartilhar um momento tão especial, de perto é extremamente emocionante.

Assim como eu, minha mãe, participou de uma forma incomparavelmente linda. Ela, através do texto abaixo, celebrou a união dos dois. Em uma noite linda e abençoada, fomos todos envolvidos no mundo dos casados. 

Independentemente do momento de vida, seja casado, solteiro, separado, juntado, misturado, os dizeres abaixo são de grande valia a qualquer pessoa que queira dividir sua vida com outras.

" Eduardo e Simone,

Me senti muito, muito honrada pelo convite de vocês. Há noites que não durmo direito...

O que dizer a vocês? Como retribuir esta confiança?

A Simone, ou melhor, a Simi, a quem conheço desde adolescente, é uma pessoa rara.

Verdadeira, valente. Saiu pela vida, sempre coerente com ela mesma.

Sempre amiga. De todas as horas. Uma daquelas amigas que dão dicas quentes – raras. Talvez encontremos uma ou duas ao longo de toda a vida.

E ela te encontrou Duda. Uma pessoa risonha, feliz, que lida com o stress sem perder o foco... só podia ser uma pessoa muito especial. Fi-nal-men-te, Simone! Valeu os ensaios, a espera, a procura! Merecem! Fizeram por onde!

Pois hoje vim aqui, desejar que acreditem no seu amor, na sua vida, na sua proposta. Acreditem no amor! Pois ele permitirá que tenham uma vida completa.

Respeitem o silêncio, quando ele for necessário. A preocupação do outro é irrelevante? Jamais. É inerente a cada um. A cada qual.

Não quero que me vejas tão frágil? Não veja. São momentos que todos nós temos.

Momentos de lidar com as próprias fraquezas. Que podem ser, por exemplo, o que faço para o jantar para aquelas pessoas importantes? Ou como lidar com aquele cliente/ paciente que me assusta, me intimida e não me respeita? Ou como lidar com o insucesso daquele projeto tão importante?

Talvez o melhor neste momento seja calar.

Não perguntar.

Ou talvez, quem sabe, o contrário – perguntar.

Só o amor poderá fazer a sintonia fina e guiar o que melhor fazer.

Ao cuidar um do outro, o façam como parceiros, não como mãe ou como pai. Se respeitem como pessoas. Parceiros. Colegas de mar, de prancha, de sol.

Ou de varanda, de rede, de sofá... de silencio. Ou até mesmo de ausências transitórias.

Hoje um está melhor do que o outro? Tem mais recursos? Continuem dividindo, sem trapassas. Compartilhem!

Que tratem um ao outro com ternura. Sentimento essencial!
  
Acordou, em um momento difícil, ou complexo, com os pés inchados?

Que o outro ache, com carinho, os chinelos e te ajude a calçar.

Ou só os deixe a mão. Depende.

Só o amor pode guiar o melhor a fazer. Ou se fizer errado, que aquele de pé inchado, se não entender na hora, entenda noutro momento.

Talvez o outro estaja também precisando de chinelos.

Quando vierem os filhos, cada um entenda o amor do outro por eles.

Jamais interfiram, jamais se interponham.

Permitam, facilitem, ajudem.

Compreendam as limitações do outro. A paciência. Ou a impaciencia.

Que nenhum de vocês, jamais precise usar de subterfúgios para ser mais amado por eles do que o outro.

Que o amor entre vocês e para com os seus filhos, lhes baste.

Reconheçam e combatam a competição – cupim da relação.

Só o amor, em toda a sua extensão, pode permitir isto.

Amor? O que é isto? Difícil de definir porque se sente, apenas. APENAS? Não. É tudo!

É sair de si. Dar.

Só pessoas coerentes, valentes e verdadeiramente amigas entendem isto.

E quando pensarem: Quer saber? Na real? Que saco!

Peguem as pranchas, descarreguem a energia e se reencontrem.
  
Que sejam vencedores. Que sigam sendo as pessoas felizes que são.

E porque nós todos aqui fomos escolhidos, dentre tantos, para partilhar este momento, vamos juntos dizer TODOS!

Nós.... os declaramos.... marido e mulher".